Duas ações da Polícia Militar (PM) que terminaram nas mortes de homens em surto e depressão reacenderam o debate sobre o uso da força policial e o preparo dos agentes para atender esse tipo de ocorrência em São Paulo. Em uma semana, policiais militares dispararam 69 vezes contra duas pessoas que, segundo familiares e registros das ocorrências, apresentavam transtornos mentais e emocionais.
De acordo com especialistas em segurança pública ouvidos pela equipe de reportagem, o número de disparos contrasta com orientações do Método Giraldi, utilizado pela PM paulista, segundo as quais o tiro é a “última alternativa”, devendo o policial priorizar outros procedimentos e, quando necessário, efetuar sequências de dois tiros.
Os dois casos ocorreram em um intervalo de sete dias e foram filmados. Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi baleado e morto na Vila Dionísia, Zona Norte da capital após a PM disparar 24 vezes. Em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morreu baleado após policiais darem 45 tiros em Moema, na Zona Sul.
Especialistas defendem a apuração das ocorrências e apontam a necessidade de reforço nos protocolos de uso progressivo da força e de treinamento específico para abordagens envolvendo pessoas em crise.
A Polícia Civil investiga os dois casos separadamente, e apura se os agentes da PM agiram em legítima defesa ou ainda se cometeram excessos nas ações.

