Redação –
O advogado Amilton Ferreira de Almeida, preso suspeito de vazar informações sobre a Operação Infiltrados, será ouvido pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta segunda-feira (5), em Campo Grande.
Amilton foi preso na terça-feira (29), durante a Operação Obstructio. No dia seguinte, passou por audiência de custódia, e a Justiça decidiu manter a prisão. O advogado permanece custodiado no Presídio Militar.
Amilton atuava na defesa do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, preso no dia 24 de setembro e apontado pelas investigações como um dos envolvidos no esquema de desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Conforme as investigações, o advogado teria antecipado informações sobre a operação ao delegado. Os dois serão ouvidos pelo Gaeco na tarde desta segunda-feira.
Na quinta-feira (1º), a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul) confirmou que apresentou um pedido de relaxamento da prisão de Amilton.
Nesta segunda-feira, a reportagem tentou contato com a OAB-MS para saber se algum integrante da Comissão de Prerrogativas acompanharia a oitiva do advogado, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
Operação Infiltrados
Deflagrada pelo Gaeco, a Operação Infiltrados investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), parte dos entorpecentes seria omitida dos registros oficiais ou retirada de depósitos policiais e posteriormente repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal.
As investigações tiveram início em outubro de 2025. Conforme os elementos reunidos pelo MPMS, policiais civis teriam utilizado as funções públicas para desviar drogas apreendidas entre 2021 e 2026.
Uma das formas de desvio investigadas seria a omissão, nos registros das ocorrências, de parte dos entorpecentes efetivamente apreendidos. Outra suspeita envolve a retirada de drogas diretamente de depósitos de delegacias, com posterior repasse a traficantes.
Ainda segundo as investigações, os entorpecentes seriam entregues a Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, que utilizaria uma construtora para supostamente dar aparência legal aos valores obtidos com as atividades criminosas.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
O delegado Hoffman d’Ávila Cândido e Sousa não foi localizado em casa durante o cumprimento dos mandados. Horas depois, ele se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil, acompanhado do advogado Amilton. No dia seguinte, foi afastado compulsoriamente do cargo.
As investigações seguem em andamento.

