A ministra do Planejamento, Simone Tebet, pode estar prestes a dar um passo definitivo para fora do discurso de “centro político” que marcou sua trajetória recente. Nos bastidores de Brasília, cresce a avaliação de que Tebet estuda abandonar o MDB e se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma movimentação de claro alinhamento com o governo federal.
A possível mudança ocorre em meio ao prazo legal para troca de domicílio eleitoral e filiação partidária, que se encerra em 4 de abril, e envolve também a hipótese de migração de sua base eleitoral para o estado de São Paulo. O objetivo seria disputar uma das duas vagas ao Senado Federal pelo maior colégio eleitoral do país nas eleições de 2026.
Falta de base eleitoral no Mato Grosso do Sul
No Mato Grosso do Sul, estado onde construiu sua carreira política, pesquisas internas e levantamentos eleitorais recentes indicam que Simone Tebet não possui hoje um eleitorado consolidado, nem entre eleitores de direita nem entre os de esquerda. A perda de identidade política e o alinhamento ao governo Lula teriam afastado tanto o eleitor conservador quanto parte do eleitorado que se identifica com a esquerda tradicional.
Esse cenário ajuda a explicar a avaliação de uma mudança de domicílio eleitoral, diante da dificuldade de viabilizar uma candidatura competitiva no próprio estado.
Estratégia eleitoral e alinhamento governista
A entrada de Simone Tebet no PT consolidaria sua aliança direta com o presidente Lula, encerrando de vez qualquer tentativa de se apresentar como uma alternativa moderada ou independente dentro do espectro político nacional. Apesar de ter construído sua imagem pública como representante do centro, sua atuação no governo petista e suas declarações recentes indicam um alinhamento cada vez mais explícito com a esquerda.
Outra possibilidade considerada seria a filiação ao PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, o que manteria Tebet dentro do arco de alianças governista, ainda que com menor desgaste simbólico do que uma entrada direta no PT.
Mudança de estado e disputa acirrada em São Paulo
Caso confirme a transferência do domicílio eleitoral para São Paulo, Tebet entraria em uma disputa considerada uma das mais difíceis do país, enfrentando nomes consolidados e um eleitorado historicamente crítico ao PT. Ainda assim, a estratégia revelaria a tentativa de compensar a fragilidade eleitoral no MS com o peso político e a estrutura partidária oferecidos pelo Planalto.
Fim do discurso de neutralidade
A possível filiação ao PT representa, na prática, o fim definitivo do discurso de neutralidade ideológica adotado por Simone Tebet após as eleições presidenciais. A ministra, que se apresentou como alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo em 2022, hoje caminha para uma adesão formal ao projeto político liderado por Lula.

